Kéops, segundo faraó da IV dinastia, cujo reinado se estendeu de 2551 a 2528 aproximadamente, talvez influenciado pelo tamanho da pirâmide erguida por seu pai Snefru, escolheu um planalto situado nas bordas do deserto, mais ou menos a oito quilômetros de Gizé, e ali ergueu uma pirâmide de dimensões ainda maiores. Conhecida como a Grande Pirâmide ou Primeira Pirâmide de Gizé, esse monumento marca o apogeu da época de tais construções, tanto no que se refere ao tamanho quanto no que se refere à qualidade do trabalho. Tendo uma base que cobre quase 53 mil metros quadrados, esse é, sem dúvida, o monumento mais polêmico de toda a antiguidade egípcia e a única das Sete Maravilhas do Mundo que chegou até nossos dias.
A quantidade de pedra talhada que foi usada para erguer a pirâmide de Kéops não pode ser computada com exatidão, pois o centro de seu interior consiste de um núcleo de rochas cujo tamanho não pode ser determinado com precisão. Todavia, estima-se que quando pronta e intacta devia ser formada por dois milhões e 300 mil blocos de pedra, cada um pesando em média duas toneladas e meia, sendo que os maiores deles pesavam 15 toneladas. O peso total do monumento tem sido avaliado em 5.273.834 toneladas. Sua parte interna foi erguida com a rocha de qualidade inferior que se encontra normalmente naquelas vizinhanças e todo seu revestimento foi feito com a pedra calcária branca de excelente qualidade da região de Tura, localidade perto do Cairo. O pesquisador Max Toth nos conta que as pedras de revestimento, perfeitamente trabalhadas, com uma superfície de contato de aproximadamente 3,25 m², estavam tão bem cimentadas que as juntas entre elas têm uma separação de não mais de 0,6 cm. Esse cimento tem uma tal retentividade que existem fragmentos de pedra de revestimento ainda unidos pelo cimento, embora o resto dos blocos de ambos os lados tenha sido destruído.
Pena que civilizações posteriores tenham arrancado quase todas as pedras calcárias do revestimento, com exceção de algumas peças junto da base, para uso em construções modernas, dando atualmente ao monumento essa aparência de vários degraus que vemos ao lado. Também se avalia que cerca de 12 camadas, abaixo da pedra do ápice, tenham sido retiradas do vértice. Os enormes blocos usados para revestir as câmaras e corredores internos, alguns pesando cerca de 50 toneladas, são de granito e foram extraídos das pedreiras de Assuã, localizadas a 800 quilômetros de distância. As faces da pirâmide brilhavam com a luz do Sol e os egípcios lhe deram o nome de Akhet Khufu, Resplandecente É Kéops, ou Akhuit, A Resplandecente. Também chamavam-na de A Pirâmide que É o Lugar do Nascer e do Pôr do Sol.
Uma das maneiras de ilustrar a grandiosidade da pirâmide para quem nunca a viu de perto, consiste em compará-la com outros monumentos famosos. Estima-se, por exemplo, que na área por ela ocupada caberiam a catedral de Florença, a de Milão e a de São Pedro de Roma, bem como a abadia de Westminster e a catedral de São Paulo de Londres. Por outro lado, sua altura original de 146 metros é superior à da basílica de São Pedro em Roma, que é de 139 metros. Atualmente, porém, mede 137 metros de altura, pois nove metros de seu topo se perderam com o passar do tempo. E para quem gosta de comparações curiosas, alguém calculou que caso a pirâmide fosse reduzida a cubos com 30 centímetros de lado e eles fossem colocados em fila, se estenderiam por uma distância igual a dois-terços da circunferência da Terra no equador. Diz a lenda que Napoleão também fez um de tais curiosos cálculos e concluiu que as três pirâmides de Gizé contêm pedra suficiente para erguer um muro ao redor da França com altura de três metros e espessura de 30 centímetros, cálculo esse que foi confirmado por um eminente matemático francês contemporâneo do imperador.
Os lados da pirâmide, em sua base, medem aproximadamente 230 metros cada um e estão orientados quase que perfeitamente em linha com os quatro pontos cardeais e isso também significa que os quatro cantos do monumento são ângulos retos quase perfeitos. O alinhamento é tão exato, que os erros de uma bússola podem ser detectados se compararmos as suas indicações com a orientação piramidal. Trata-se de um fato surpreendente e intrigante se levarmos em consideração que a bússola magnética era totalmente desconhecida dos antigos egípcios. Muito provavelmente conseguiram tal precisão observando o nascer e o ocaso de uma estrela setentrional e determinando os pontos cardeais norte e sul através de medições feitas com um prumo. As quatro faces da pirâmide se inclinam em um ângulo de cerca de 51° 52' em relação ao solo. A entrada fica na face norte, a uma altura de cerca de 16 metros e 76 centímetros medidos verticalmente em relação ao solo, e não está exatamente no meio da parede, mas sim deslocada cerca de sete metros para leste do centro. A partir da entrada, um corredor descendente (1), com um metro de largura por um metro e 20 centímetros de altura, penetra num ângulo de 26° através da estrutura do monumento e depois pelo solo rochoso. A uma distância de aproximadamente 105 metros da entrada torna-se plano e continua horizontalmente por mais quase nove metros antes de desembocar numa câmara (2). Essa encontra-se a 30 metros abaixo do nível do solo, ficou inacabada, e em seu piso existe uma cova quadrada que parece ser o início de um trabalho destinado a aprofundar o compartimento. A câmara é retangular e mede oito metros e 25 centímetros por 14 metros e tem altura de três metros e 50 centímetros. Na parede sul da câmara, no lado oposto à entrada, existe uma passagem sem saída cavada rusticamente na rocha e que ficou inacabada (3). Os arqueólogos supõem que essa passagem iria levar a uma outra câmara que nunca foi construída.
Ao que parece, nessa altura da construção os planos mudaram e a escavação subterrânea foi abandonada. Abriu-se, então, um buraco no teto do corredor descendente, cerca de 18 metros e 30 centímetros da entrada, e a partir daí construiu-se um corredor ascendente (4) dentro da estrutura da pirâmide. Após o sepultamento a entrada desse corredor foi tampada com uma laje de pedra calcária tornando-a praticamente invisível. O corredor ascendente tem aproximadamente 39 metros de comprimento, sendo que sua largura e altura são iguais às do corredor descendente e seu ângulo de inclinação é de 26° 2' 30". É revestido de calcário branco muito polido em toda a sua extensão, terminando num cruzamento. Logo após a entrada há três grandes blocos de granito vermelho, com um metro e 82 centímetros cada, colocados um após o outro, que vedavam totalmente a passagem e deveriam funcionar como obstáculos para quem, eventualmente, descobrisse a entrada do corredor.
Ao construírem esse corredor ascendente parece que a idéia era a de colocar a câmara mortuária na parte central do monumento e a uma altura não muito elevada em relação ao solo. E tal câmara (5) foi realmente construída no final de uma passagem horizontal que tem quase 39 metros de comprimento e um metro de lado e que parte do topo do corredor ascendente. Hoje ela é conhecida com o nome equivocado de câmara da rainha e fica exatamente no meio da distância entre as faces norte e sul da pirâmide, ou seja, diretamente debaixo do vértice do monumento. Mede cinco metros e 70 centímetros por cinco metros e 23 centímetros e tem o teto em ponta atingindo a altura de seis metros e 22 centímetros. Os blocos que formam o teto ultrapassam a largura da câmara e se estendem pela alvenaria circundante por mais de três metros de cada lado. Sua função é reduzir o peso real da massa piramidal sobre as paredes do recinto. Na parede leste há um nicho com apenas um metro de profundidade, quatro metros e 67 centímetros de altura e largura da base de um metro e 57 centímetros, que se supõem fosse destinado a conter a estátua do rei, mas que, provavelmente, nunca foi colocada em seu lugar. Indícios como a falta de acabamento do piso e outros, apontam para a probabilidade de que a câmara da rainha não tenha sido terminada.
Os arqueólogos acreditam que nesse ponto dos trabalhos os egípcios mudaram seus planos mais uma vez. Iniciaram, então, a construção da grande galeria (6), que é uma continuação do corredor ascendente. Ela tem 46 metros e 63 centímetros de comprimento e oito metros e 53 centímetros de altura; suas paredes, de pedra calcária polida, inicialmente erguem-se verticalmente até dois metros e 28 centímetros, atingindo aí uma largura de quase um metro e 80 centímetros. Acima desse nível há sete fiadas que se projetam para dentro cerca de oito centímetros além da fiada sobre a qual se apoiam, formando, assim, uma abóbada que impressiona por suas dimensões. O espaço entre a fiada superior de cada lado tem um metro e cinco centímetros de largo e é fechado por lajes à guisa de telhado. Engenhosamente, cada laje do teto inclinado tem sua borda inferior apoiada numa espécie de reentrância talhada no topo das paredes laterais; isso evita que as pedras pressionem as que estão imediatamente abaixo, o que criaria uma excessiva pressão ao longo de todo o teto e faz com que cada laje seja sustentada separadamente pelas paredes laterais sobre as quais se apóia. Na parte inferior de cada parede existe um declive formando uma espécie de degrau com 61 centímetros de altura e 50 centímetros de largura e que se estende ao longo de todo o comprimento da galeria; entre eles corre uma passagem de largura idêntica à do teto.
Do ponto de convergência entre o corredor ascendente, a passagem que leva à câmara da rainha e a grande galeria, parte um poço estreito (7) que desce não só pelo interior da pirâmide, mas também pelo solo rochoso, primeiro perpendicularmente e depois obliquamente em direção ao corredor descendente, no qual desemboca em sua parede oeste. A função desse poço parece ter sido oferecer uma rota de fuga para os operários que tiveram a missão de obstruir o corredor ascendente após a realização do funeral.
Na extremidade superior da grande galeria existe uma pedra imensa, com um metro de altura, conhecida como grande degrau, a qual forma uma plataforma de cerca de um metro e 80 centímetros por dois metros e 43 centímetros e estima-se que esteja em linha com o vértice da pirâmide. Ele dá acesso a uma passagem horizontal, baixa e estreita, com um metro de largura e pouco mais de um metro e 20 centímetros de comprimento, que conduz a uma espécie de antecâmara (8), a qual tem três de suas paredes em granito vermelho polido. Esse aposento tem cerca de 2 metros e 74 centímetros de comprimento, um metro e 52 centímetros de largura e três metros e 66 centímetros de altura. Em suas paredes leste e oeste foram talhadas três canaletas, com 55 centímetros de largura cada uma, que chegam até o chão. Na foto ao lado, detalhe de uma das canaletas da parede oeste. Destinavam-se a receber três portas levadiças, as quais, entretanto, não foram encontradas pelos arqueólogos. Supõe-se que tais portas seriam baixadas por meio de cordas que deslizariam sobre cilindros de madeira fixados no topo de cada canaleta que, como podemos obervar na foto, terminam num formato curvo. Nas mesmas paredes existe, na altura do teto, uma quarta reentrância de menor comprimento, interrompendo-se a uma distância de cerca de um metro e 15 centímetros do chão e que sustenta até hoje dois blocos de granito sobrepostos que se estendem por toda a antecâmara. Cada um de tais blocos, dos quais também vemos um pedaço na foto ao lado, é uma laje com aproximadamente um metro e 52 centímetros de largura por 60 centímetros de altura e 40 centímetros de espessura. Elas se situam a cerca de 56 centímetros da parede norte da câmara. Sobra um espaço de um metro e 52 centímetros entre o bloco superior e o teto, o qual teve ter sido obstruído originalmente por outra laje. Tudo isso eram precauções tomadas pelos antigos egípcios para evitar a invasão do sepulcro, pensam os arqueólogos. Outro corredor baixo sai da antecâmara, alinhado exatamente com o corredor de entrada para a mesma, tendo a mesma largura daquele e atingindo quase dois metros e 60 centímetros de comprimento e abre-se para a câmara do rei.
A câmara do rei (9) é totalmente de granito. Mede 10 metros e 46 centímetros por cinco metros e 23 centímetros e tem altura de cinco metros e 81 centímetros. Nas suas paredes norte e sul, a uma altura de cerca de 90 centímetros acima do piso, há aberturas retangulares de dois condutos (10) que penetram no interior da pirâmide e atingem suas paredes externas. Tais condutos são considerados pelos estudiosos como meios de ventilação da câmara, mas também acredita-se que possam ter tido propósitos religiosos.
Junto à parede oeste da câmara do rei encontra-se um sarcófago retangular e sem tampa, feito de granito, totalmente sem inscrições, que provavelmente deve ter recebido um dia o corpo do faraó encerrado em um ataúde de madeira. Entretanto, os pesquisadores encontraram-no vazio. A aparência do sarcófago é grosseira, sendo que muitas das ranhuras provocadas pela serra que o desbastou ainda estão claramente visíveis. Suas dimensões externas são: dois metros e 30 centímetros de comprimento, pouco mais de 90 centímetros de largura e cerca de um metro e 16 centímetros de altura. Batendo-se nele com a mão, houve-se um som claro de campainha. Como a largura do sarcófago é maior do que a largura da entrada do corredor ascendente, concluiu-se que ele deve ter sido colocado em seu lugar durante a construção da câmara do rei. Para ver outra foto do sarcófago, clique aqui.
O teto da câmara do rei tem um desenho inusitado. O forro é plano e formado por nove lajes de granito que pesam em conjunto cerca de 400 toneladas. Acima dele, porém, há cinco compartimentos estanques, sendo que o forro dos quatro primeiros é plano e o do último forma um teto em ponta. A altura dessas câmaras é de aproximadamente 90 centímetros, com excessão da última que permite que uma pessoa fique em pé dentro dela. A intenção, ao que parece, era a de evitar que o forro da câmara ruísse sob o peso da estrutura da pirâmide. Algumas das paredes desses compartimentos são de pedra calcária e em vários de seus blocos ainda se pode ver as marcas em ocre vermelho que neles foram pintadas na pedreira. Entre tais marcas encontram-se as únicas referências existentes ao nome de Kéops em toda a pirâmide
A Pirâmide de Kéops Parte 2
Do muro que, com certeza, rodeava a pirâmide de Kéops, nada restou. Resta apenas parte do pavimento em pedra calcária que preenchia o espaço entre a pirâmide e o muro. Defronte à parte central da face leste da pirâmide há um templo mortuário: uma construção retangular de pedra calcária, medindo 52 metros e 12 centímetros de norte a sul por 40 metros e 23 centímetros de leste a oeste. Na fachada leste do templo, uma passagem dá acesso a uma calçada murada externa (1). A construção é basicamente formada por um pátio pavimentado de basalto negro (2), rodeado por arcarias. O telhado das arcadas pode ser atingido através de uma escada de pedra em caracol (3) e é suportado por colunas de granito (4), todas decoradas com cenas esculpidas em baixo relevo. No fundo do templo há um nicho (5) que talvez tenha sido o santuário. Se existia ou não alguma coisa entre os fundos do templo e a base da pirâmide de Kéops, não se sabe.
Ao norte e ao sul do templo, mas em uma área localizada do lado externo aos muros que rodeavam a pirâmide, foram encontradas duas covas em forma de barco escavadas na rocha. Outra cova semelhante foi achada junto ao templo. As três estavam vazias. Uma quarta cova, porém, localizada ao sul dos muros, continha um bote de madeira de cedro, parcialmente desmontado, com 43 metros e 58 centímetros de comprimento, 5 metros e 60 centímetros de abertura e com capacidade de deslocamento de mais de 40 toneladas. Elegante embarcação, tem sobre a ponte uma cabine sustentada por colunas em forma de papiro. Para desobstruir a cova onde a barca se encontrava foi necessário mover 41 blocos de calcário que cobriam a fossa, os quais pesavam entre 17 e 20 toneladas. Com certeza valeu a pena o trabalho. Nessa barca de milhões de anos, como diriam os egípcios, o casco é formado por centenas de peças de madeira que se encaixam como se fosse um enorme quebra-cabeça e que são mantidas unidas por um único pedaço de corda. Assim, tornava-se desnecessário usar calafetagem ou piche para que o barco fosse estanque. O projeto baseava-se no fato de que, quando úmida, a madeira incha, ao passo que a corda encolhe. Isso produzia uma vedação automática, impermeável à água. Afirmam os estudiosos que esse barco tinha condições de navegabilidade infinitamente melhor do que qualquer embarcação da época de Cristóvão Colombo. O barco, um conjunto de 1224 peças, levou 10 anos para ser reconstruído e um museu foi erguido ao lado da pirâmide especialmente para abrigá-lo. Para ver fotos desse barco, clique aqui, aqui e também aqui. O costume de enterrar barcos junto aos sepulcros existia desde a I dinastia. Alguns deles talvez tivessem sido usados no decorrer do funeral, mas outros destinavam-se a servir de meio de transporte para o morto no além-túmulo, seja para acompanhar a barca do deus-Sol em sua jornada, seja para atingir as regiões profundas onde os deuses habitavam.
No lado sul da calçada murada que dá acesso ao templo, e em ângulo reto com ela, existe uma fileira de quatro pirâmides satélites, sendo que três delas apresentam uma pequena capela em ruínas junto à sua face leste. Ao lado da primeira pirâmide há uma pequena cova em forma de barco. Nas proximidades dela os arqueólogos descobriram um túmulo real intocado pertencente à esposa do faraó Snefru e mãe de Kéops, a rainha Hetepheres. O sepulcro foi encontrado no fundo de um poço de 30 metros de profundidade e que havia sido totalmente bloqueado com alvenaria. Não havia qualquer edificação sobre o poço. Muito ao contrário, sua boca foi cuidadosamente disfarçada para confundir-se com o restante do solo e não ser localizada. Na câmara mortuária havia um fino sarcófago de alabastro vazio, mas as vísceras lá estavam em uma caixa também de alabastro. Diversos objetos foram encontrados na câmara funerária: vasos de alabastro, um jarro de cobre, três vasos de ouro, navalhas de ouro, ferramentas de cobre e um instrumento de ouro para manicura, pontudo numa das extremidades para limpar as unhas e curvo na outra para pressionar a cutícula. Havia, ainda, uma caixa de toalete com oito pequenos vasos de alabastro cheios de unguentos e pós. Numa caixa de jóias estavam 20 ornatos de prata para o tornozelo, decorados com libelinhas de malaquita, lápis lazuli e cornalina. Objetos maiores também figuravam no conjunto: uma estrutura de baldaquino feita de madeira revestida de ouro, duas cadeiras com braços e uma cama parcialmente revestidas com folhas de ouro. Nos pés da cama vê-se um painel de ouro decorado com um desenho floral em azul e preto.
A leste e a oeste dos muros que cercavam a pirâmide de Kéops existiam grandes cemitérios de mastabas, dispostas em fileiras paralelas. No lado sul da pirâmide havia apenas uma fila de mastabas e no lado norte elas não existiam. Os ocupantes dos túmulos do cemitério do lado leste eram parentes próximos do rei e os do lado oeste, que é o maior, funcionários da administração. Tal disposição ilustra a crença de que o faraó viveria no além-túmulo cercado por seus parentes e servos leais. Muitas das mastabas perderam seu revestimento externo. Originalmente estavam recobertas por pedra calcária, a exemplo da pirâmide. Assim, todo o conjunto apresentava uma coloração uniforme, com a Grande Pirâmide se elevando bem ao centro de forma impressionante. Por sua vez, o contraste entre a enormidade da pirâmide e a pouca altura das mastabas deveria ilustrar a diferença entre a majestade divina do rei e a condição de simples mortais de seus súditos. A simetria das sepulturas foi quebrada já no decorrer da V e da VI dinastias, quando pequenas mastabas foram erguidas nos espaços existentes entre as fileiras dos túmulos primitivos. Os próprios funcionários da necrópole e os sacerdotes mortuários, que executavam as tarefas necessárias à preservação do bem estar dos mortos, construíram ali seus próprios sepulcros. Em épocas posteriores, os egípcios passaram a acreditar que construir seus túmulos na região de Gizé lhes conferiria vantagens adicionais após a morte e, assim, toda a área apinhou-se de sepulcros.
A Pirâmide de Kéfren

O faraó Kéfren (em egípcio Khaef-Re), irmão de Kéops e quarto rei da IV dinastia, reinou entre 2520 e 2494 a.C. e mandou construir o monumento que hoje é, em tamanho, a segunda maior pirâmide do Egito antigo. Imponente, era revestida de pedra calcária e granito vermelho e os antigos egípcios deram-lhe o nome de Grande é Kéfren e também chamavam-na de A Grande Pirâmide. No seu interior foi achado um sarcófago com dois metros e 43 centímetros de comprimento por um metro de largura e 68 centímetros de profundidade, mas o corpo do rei não foi encontrado. Nas proximidades do monumento, um conjunto rochoso foi aproveitado para que nele se esculpisse a famosa esfinge, cuja cabeça representa a face do faraó.
Embora visualmente dê a impressão de ser mais alta que a pirâmide de Kéops, por se encontrar em terreno mais elevado, a pirâmide de Kéfren é mais baixa que aquela. Sua altura original era de 143 metros, o que a tornava três metros mais baixa que a primeira quando ambas estavam intactas. Hoje ela mede 136 metros e, portanto, é cerca de apenas um metro mais baixa que a Grande Pirâmide em seu estado atual. Cada lado da base mede 215 metros e, portanto, a área que ocupa é de 46 mil e 225 metros quadrados. Nela chama logo a atenção a permanência até hoje em seu topo de boa parte do revestimento de pedras calcárias. À luz do sol do meio-dia elas ainda brilham de forma deslumbrante. Na base também foi preservada parte da camada rente ao chão, que era a única em granito vermelho de toda a pirâmide.
O monumento tem duas entradas, ambas cerca de 12 metros a leste do ponto central de sua face norte. Uma se encontra mais ou menos a 15 metros de altura em relação ao solo, ao passo que a outra foi escavada diretamente nele e também diretamente abaixo da primeira. Da entrada superior parte um corredor inclinado (1), baixo e estreito, que desce pela estrutura da pirâmide até penetrar na rocha, quando então torna-se horizontal e continua até o centro do monumento onde se abre na câmara funerária (2). O teto, piso e paredes de toda a seção inclinada do corredor, bem como de pequena parte da seção horizontal são revestidos de granito vermelho. Próximo do ponto onde o revestimento de granito termina, foram talhadas canaletas verticais nas paredes, destinadas a receber uma porta levadiça, também de granito, cujos destroços ainda permanecem naquele local.
Quase toda a câmara mortuária foi talhada na rocha. A exceção, como podemos perceber na fotografia, ficou por conta do teto em ponta que é formado por lajes de pedra calcária assentadas no mesmo ângulo das faces do monumento. A câmara mede 14 metros e 17 centímetros na direção leste/oeste, cinco metros de largura e seis metros e 85 centímetros de altura. Existem cavidades retangulares de aproximadamente 30 centímetros de profundidade junto ao topo das paredes norte e sul. Elas provavelmente deveriam ser estendidas até a superfície externa da pirâmide para servirem de respiradouro, mas o trabalho não foi levado adiante. No lado oeste do recinto, um fino sarcófagoretangular de granito polido, sem qualquer tipo de inscrição, foi embutido no solo até a altura de sua tampa. Esta foi encontrada pelos arqueólogos, em 1818, junto ao ataúde, porém quebrada em dois pedaços. Não havia qualquer sinal do corpo do faraó.
Da entrada inferior parte um corredor (3), cavado no substrato rochoso, que segue trajeto semelhante ao do corredor superior até tornar-se horizontal por um curto trajeto e ascender abruptamente para emergir no solo da seção horizontal do corredor superior. Esse corredor inferior não tem as paredes revestidas de granito, mas nele também existe uma porta levadiça daquele material. Em sua seção plana, na parede leste, existe uma reentrância; no lado oposto, uma passagem em declive desemboca em uma câmara (4) que mede 10 metros e 43 centímetros de comprimento por três metros de largura e dois metros e 56 centímetros de altura. Parece evidente que esse recinto fora planejado para conter o sarcófago, mas a idéia foi abandonada e é possível que isso tenha ocorrido porque a própria posição de construção da pirâmide foi alterada. Seja como for, as duas seções inclinadas desse corredor inferior foram bloqueadas com pedra calcária.
O espaço de pouco mais de 10 metros que separava a pirâmide do alto muro que a cercava era todo pavimentado. No lado sul esse espaço era um pouco maior e aí, frente ao centro da pirâmide de Kéfren, havia uma única pirâmide satélite. Para além dos muros o eminente arqueólogo Sir Flinders Petrie encontrou uma série de galerias que supõe-se sejam os abrigos onde residiam os operários encarregados de erguer todo o complexo piramidal. Cada um dos 91 compartimentos encontrados media aproximadamente 26 metros e 80 centímetros de comprimento, dois metros e 90 centímetros de largura e dois metros de altura. As paredes da galeria eram de pedaços rústicos de pedra calcária revestidos de barro, sendo que o piso também era coberto desse último material. No lado da entrada as paredes terminavam em largas pilastras de pedra calcária talhada, enquanto que ao fundo eram simples, fechavam as galerias em ângulo reto e corriam paralelamente à face oeste da pirâmide de Kéfren.
A Pirâmide de Kéfren Parte 2A Pirâmide de Kéfren Parte 2
Junto à esfinge situa-se o templo do vale do complexo da pirâmide de Kéfren. Mede 44 metros e 80 centímetros de cada lado e sua altura é de 13 metros. As paredes, de pedra calcária rústica, são extremamente grossas e foram um dia revestidas, tanto interna quanto externamente, de granito vermelho polido. Alguns desses blocos pesam de 50 a 80 toneladas cada e estão montados com juntas do tipo macho e fêmea. Outros chegam a pesar até 500 toneladas. Na parede leste há duas entradas de acesso ao templo. Em torno delas estavam esculpidas faixas de inscrições hieroglíficas apresentando o nome e títulos do faraó, mas de tais dizeres poucas palavras restaram. Nenhuma outra inscrição ou figura existe em qualquer parte do templo.
A partir da entrada, pequenas passagens (1) levam a vestíbulos (2) também pequenos, mas de considerável altura. Estes se comunicam com uma comprida antecâmara (3), em cujo solo arqueólogos encontraram uma cova contendo uma estátua de Kéfren em diorito, considerada uma das mais belas esculturas já descobertas do Império Antigo (2575 a 2134 a.C). Com 168 centímetros de altura, ela é assim descrita por Giorgio Lise: Segundo uma das posições canônicas, o faraó aparece sentado, com as mãos sobre as coxas e com a cabeça protegida pelas asas abertas do deus-falcão Hórus. Os juncos entrelaçados nos lados do trono representam a união do Alto e do Baixo Egito, enquanto as pernas em forma de leão são o símbolo do poder do rei. A principal característica do templo é um recinto em forma de tê, com colunas de granito, pavimentado de alabastro e ao qual se chega através de uma passagem que sai da antecâmara. Nele estiveram um dia postadas, ao longo de suas paredes, 23 estátuas reais feitas de diorito, xisto e alabastro e, provavelmente, aquela única que foi encontrada intacta, abrigada em sua cova, fazia parte do conjunto.
Para iluminar o interior, — escreve o professor Everard M. Upjohn — o arquiteto inventou a clarabóia, elemento arquitetônico que atingiria o apogeu, milhares de anos mais tarde, nas igrejas cristãs. A cobertura da parte central era mais alta do que a das naves laterais, permitindo assim a colocação duma fila de pequenas janelas.Por sua vez, o egiptólogo I.E.S.Edwards nos conta: A luz adentrava o recinto através de fendas oblíquas cortadas parcialmente no topo das paredes e parcialmente na parte inferior do teto plano de granito; os raios não brilhavam diretamente sobre as estátuas, mas eram refletidos pelo piso de alabastro e pelas colunas quadradas e massiças de granito vermelho que sustentavam o teto. Tal claridade pode parecer inadequada para iluminar esculturas que, a julgar por aquela que permaneceu intacta, eram obras-primas da arte. As esculturas egípcias, entretanto, não se destinavam a ser expostas, mas a prover o espírito com um imperecível substituto para o corpo humano; não se pensava que a luz difusa ou mesmo a escuridão total pudesse prejudicar a eficácia do substituto — um fato que é demonstrado pela prática regular de enclausurar estátuas em serdabs.
Os estudiosos não acreditam que Kéfren tenha mandado colocar 23 estátuas suas nesse templo para garantir maior número de moradas para o seu ka. Para que a existência divina do faraó fosse preservada no além-túmulo, diziam as crenças, era necessário que cada um dos 26 membros de que se compõe o corpo fossem separada e cerimonialmente deificados e identificados com o deus específico que era associado ao referido membro. Supõe-se, então, que as estátuas se destinavam à deificação individualizada de cada um dos membros de Kéfren. Como três divindades estavam associadas cada uma delas a dois membros, bastavam 23 estátuas, repetindo-se a cerimônia duas vezes em três delas.
Os arqueólogos também supõem que durante as cerimônias que se realizavam no templo no decorrer do sepultamento, o ataúde com o corpo embalsamado do rei era colocado junto às estátuas. As quatro vísceras, em seus respectivos vasos canopos, ficavam cada uma delas em uma longa cela de um grupo de seis delas dispostas em dois andares (4), atingidas por uma passagem que saia do lado sul do recinto com colunas. As celas restantes destinavam-se a armazenar duas coroas reais. Uma passagem que partia do lado norte do recinto com colunas atingia a calçada que se iniciava no exterior do templo (5). A meio caminho da passagem existia um corredor estreito que levava a uma pequena câmara (6) revestida de alabastro, a qual talvez servisse para o armazenamento de oferendas utilizadas durante as cerimônias funerárias.
O templo do vale ligava-se ao templo mortuário através de uma calçada (5) que foi construída obliquamente para evitar uma profunda depressão do terreno. Com mais de 400 metros de extensão e cerca de quatro metros e 57 centímetros de largura, tinha muros e era coberta por um teto plano de lajes de pedra. Quase nada restou dela a não ser pouca coisa de seu alicerce rochoso e algumas pedras de suas paredes e calçamento. A luz — e naturalmente a chuva — penetravam através de rasgos horizontais feitos na parte central das lajes do teto. Para evitar que a água inundasse o corredor e atingisse o templo do vale, foi aberto um canal no pavimento da parte inferior da calçada, o qual conduzia a água para fora através de uma passagem nas paredes laterais.
O templo mortuário era uma construção baixa e media aproximadamente 112 metros de comprimento por 48 metros de largura. Suas paredes de pedra eram parcialmente revestidas de granito vermelho por dentro, sendo que por fora havia revestimento do mesmo material apenas na primeira camada inferior, enquanto que o restante era coberto de pedra calcária proveniente de Tura. A calçada (5) desembocava em um corredor. À esquerda deste, duas câmaras (7)construídas em granito destinavam-se a receber as coroas reais; na sua extrema direita, quatro câmaras (8) revestidas de alabastro armazenavam as vísceras do faraó no decorrer das cerimônias fúnebres. Ao centro do corredor havia um pequeno vestíbulo (9) que se ligava por estreita passagem com a antesala de entrada formada por dois recintos, um transversal e outro longitudinal, também unidos por pequena passagem. Colunas retangulares e monolíticas de granito vermelho, semelhantes às que existiam no templo do vale, suportavam os telhados do vestíbulo e das duas partes da antesala. Nas extremidades da seção transversal da antesala, existiam duas câmaras estreitas e compridas (10) cujas paredes do fundo eram formadas por um único bloco de granito. A finalidade desses recintos ainda causa polêmica entre os estudiosos.
Após a antesala abria-se um claustro (11), pavimentado de alabastro. Pilares largos feitos com blocos de granito vermelho suportavam o teto curvo da galeria. Uma dúzia de estátuas de Kéfren sentado, cada uma delas com três metros e 65 centímetros de altura, acomodam-se e projetavam-se para fora de recessos existentes na parte frontal de tais pilares. Acima de cada estátua um par de abutres de asas abertas representavam a deusa protetora Nekhbet. Outras inscrições hieroglíficas com o nome e títulos do rei e relevos em pedra calcária nas paredes internas da arcaria completavam a decoração do recinto. Depois do claustro existiam cinco nichos profundos (12), que talvez tenham contido estátuas do rei. Estimativas, feitas com base nos fragmentos de esculturas descobertos no complexo piramidal de Kéfren, levam a crer que lá existiriam entre 100 e 200 estátuas separadas.
Além do pátio apenas os sacerdotes estavam autorizados a penetrar. Através de um corredor localizado à esquerda da parte posterior do claustro, podiam atingir o santuário do templo (13). Nele existia uma falsa-porta em sua parede oeste com um altar baixo sob ela. As oferendas eram diariamente postas sobre o altar pelos sacerdotes. Entre os cinco nichos das estátuas e o santuário havia cinco armazéns (14)nos quais ficavam guardados os jarros com vinho e reservas de mantimentos dos quais o morto lançaria mão caso os sacerdotes negligenciassem sua tarefa diária de ofertar alimentos frescos ao falecido.
A partir de uma longa rampa (15), localizada à direita da parte posterior do claustro, era possível atravesar o muro que rodeava a pirâmide, atingir o exterior do templo e sair frente ao colossal monumento. No lado de fora do templo, cinco covas para botes (16) foram escavadas na rocha junto às paredes norte e sul e duas delas ainda preservam tetos feitos com lajes de pedra calcária. Nenhum dos barcos de madeira supostamente ali depositados foi encontrado.
Os Textos das Pirâmides
Os assim chamados textos das pirâmides são uma coleção de encantamentos reunidos sem uma ordem fixa determinada, não formando, portanto, uma narrativa contínua. Eles foram encontrados nas pirâmides dos seguintes faraós: Wenis, da V dinastia; Teti, Pepi I, Merenre e Pepi II, todos da VI dinastia; Ibi, da VIII dinastia e nas pirâmides de três rainhas do faraó Pepi II. A maioria das inscrições ocorre em mais de uma pirâmide, mas poucas são repetidas em todas as pirâmides nas quais tais textos são encontrados. Na pirâmide de Wenis, por exemplo, existem apenas 228 inscrições de um total já conhecido que excede setecentas.
Assegurar para o faraó ou para a rainha uma vida feliz no além-túmulo, era o objetivo pretendido pelos textos das pirâmides. Os egípcios acreditavam que a palavra escrita tinha um poderio mágico capaz de fazer com que a sua simples presença fosse suficiente para tornar realidade o pensamento que ela expressava. Acreditavam também que a palavra falada possuia o mesmo poderio, desde que proferida por um indivíduo devidamente qualificado. Nesse caso, entretanto, ficava-se na dependência da boa vontade ou da diligência de outras pessoas.
Os Textos das Pirâmides, considerados o mas antigo conjunto de escritos religiosos do mundo, são constituídos por 759 fórmulas mágicas, hinos, rituais e listas de oferendas mescladas com histórias mitológicas. Os faraós aspiravam juntar-se às indestrutíveis, nome dado às estrelas circumpolares que nunca desaparecem do horizonte. Para alcançar tal intento eles tinham que usar magia e esses textos os ajudavam a encontrar a fórmula correta. Algumas dessas fórmulas deveriam, além disso, ser lidas nos funerais dos reis. Nenhuma pirâmide contém o conjunto completo dos 2291 parágrafos que formam os Textos das Pirâmides.
Um dos textos, que em geral vinha escrito na parede norte da câmara mortuária, reproduz as palavras que os sacerdotes recitavam diariamente quando depositavam oferendas no altar localizado diante da falsa-porta. Colocando o ritual sob a forma escrita e mantendo alimentos estocados nos armazéns, o rei acreditava não correr o risco de passar sede e fome após a morte, ainda que os sacerdotes fossem negligentes em seus deveres cotidianos.
Muitos dos textos descrevem a viagem do faraó com destino ao mundo situado no céu além do horizonte oriental e suas atividades ao chegar lá. Embora o rei pudesse contar com alguma ajuda dos deuses nessa jornada, o fato de estar armado com o mágico poder das palavras lhe assegurava sair-se vitorioso dos vários obstáculos. Além disso, com a ajuda dos textos assegurava a sua associação com o deus-Sol em sua viagem diária através do céu. Coleções de hinos em louvor aos deuses e de preces em favor do rei morto também fazem parte da coletânea de textos.
Nesses antigos e misteriosos escritos, grande parte das sentenças são mágicas. Recitá-las colocaria a alma do faraó em situação de se defender no além-túmulo e de afirmar seus direitos. Existem também algumas passagens dramáticas consagradas à imortalidade do rei, representado unido ao deus-Sol, do qual ele era na terra o filho e representante. Um dos textos afirma categórico:
O rei não está morto, ele se tornou um ser que, como o sol da manhã, se eleva a leste atrás do horizonte. Ele repousa da vida a oeste, como o sol ao se deitar, mas a aurora o reencontrará a leste. Disseste que ele morreu? Não, ele não morre. Ele é o sol, ele vive eternamente. Oh sublime entre as estrelas imperecíveis, tu não perecerás. Os homens tombam e seus nomes desaparecem, mas Rá toma o rei pela mão e o conduz para o céu a fim de que ele não morra sobre a terra entre os homens.Este rei foi para longe de vós, oh mortais. Ele não é mais da terra, mas sim do céu. Como uma nuvem, ele voa em direção ao céu; ele se eleva ao céu como o gavião e suas plumas são similares às do ganso selvagem. Ele se lança para o céu como uma cegonha, ele beija o céu como um falcão, ele salta em direção ao céu como uma rã. Ele sobe em direção aos céus. Ele sobe em direção aos céus sobre o vento, sobre o vento. As nuvens do céu estão carregadas dele, ele sobe numa nuvem de chuva.
Ele é uma chama que se eleva nas asas do vento em direção aos confins do firmamento. As escadas do céu descem diante dele para que ele possa subir. Oh deus, sustentai o rei em vossos braços! elevai-o, levantai-o em direção ao céu. Em direção ao céu! Em direção ao céu! Em direção ao grande trono de Rá no meio dos deuses. Os portões do céu se abrem, os portões do céu se escancaram. Oh Rá, teu filho veio a ti. Apertai-o contra o peito, estreitai-o em teus braços! Oh Rei, oh Purríssimo, toma teu lugar na barca do sol e navega pelo céu! Navega com as estrelas imperecíveis, navega com os astros que não se cansam jamais!
Embora o mais antigo conjunto de textos das pirâmides encontrado pelos arqueólogos esteja datado do final da V dinastia (c. de 2350 a.C.), já que foram descobertos na câmara e antecâmara da pirâmide de Wenis (c. 2356 a 2323 a.C.), ultimo faraó daquele período, acredita-se que sua origem seja muito mais velha. Prova disso está no fato deles conterem alusões a costumes funerários já não mais praticados nos tempos do faraó Wenis e de seus sucessores. Por exemplo, trecho de uma das inscrições diz: Afaste a areia da sua face, o que pode apenas referir-se às práticas funerárias da era pré-dinástica, quando o rei era enterrado em uma sepultura cavada na areia. Outro trecho que relembra costumes ainda mais primitivos descreve o rei falecido como um caçador que captura e devora os deuses para se apropriar das qualidades divinas e incorporá-las a si próprio.
Por outro lado, muitos dos textos referem-se expressamente às pirâmides e, portanto, não podem ter sido escritos antes da III dinastia. Eis um exemplo: Eles [os deuses] é que farão com que esse trabalho dure e que essa pirâmide permaneça. Parece certo, em virtude de constantes referências ao culto solar, que a compilação de tais textos foi executada pelos sacerdotes de Heliópolis, provavelmente durante a V dinastia. Ao compilar, os sacerdotes devem ter reunido os antigos encantamentos funerários e religiosos com outros mais recentes para atender às necessidades da época. A ilustração acima mostra um detalhe dos textos gravados na pirâmide de Wenis.
Embora os textos das pirâmides se destinassem a ajudar o rei morto — adverte I.E.S.Edwards —, a presença deles em sua tumba introduzia um novo complicador de uma espécie muito séria. Sendo escritos em hieróglifos, eles incluem muitas imagens de criaturas vivas. Tais imagens não apenas possuem o valor de um sinal hieroglífico particular, mas também, através do poder da magia, tornam-se a real corporificação da criatura que elas representam. O leão, por exemplo, era simultaneamente tanto um fonograma com o valor de ru quanto o animal vivo em si mesmo, dotado de todos os seus atributos. Imagens de seres humanos, que formam alguns dos sinais hieroglíficos mais comuns, da mesma forma preenchem uma dupla função. Para superar os perigos ao rei morto que poderiam resultar da presença de uma multidão de criaturas potencialmente hostis e destrutivas em sua vizinhança próxima, os sacerdotes e escultores egípcios recorreram a uma série de diferentes artifícios. Algumas vezes os sinais perigosos eram omitidos ou substituídos por sinais que representavam objetos inanimados que possuiam o mesmo valor hieroglífico. Seres humanos eram privados de suas pernas e corpos, de forma que se constituiam de cabeças e braços apenas. Animais podiam ser tornados inofensivos pelo simples expediente de terem seus corpos mutilados e esculpidos em duas metades separadas. Serpentes eram representadas intactas, mas o escorpião era desprovido de sua cauda. Uma criatura que, como única exceção, jamais tem permissão de aparecer nas paredes da câmara funerária é o peixe. Essa omissão não é devida a nenhum temor de que o peixe pudesse molestar o proprietário da tumba, mas era o resultado de uma crença segundo a qual o peixe, embora inócuo para as pessoas vivas, podia profanar um corpo morto.
No decorrer do Primeiro Período Intermediário (c. de 2134 a 2040 a.C.) e no Império Médio (c. de 2040 a 1640 a.C.), os textos das pirâmides ainda permaneceram, mas numa forma modificada. Os egípcios deixaram de escrevê-los nas paredes das câmaras e corredores das tumbas e passaram a esculpi-los na parte interna de ataúdes retangulares de madeira empregados naquela época. Seu uso generalizou-se por toda a nobreza e os textos deixaram de ser exclusividade da realeza. Tais inscrições ficaram conhecidas modernamente como os textos dos sarcófagos. Durante o Império Novo (c. de 1550 a 1070 a.C.), os textos, após sofrerem outras modificações, passaram a ser escritos em papiro e eram chamados de Capítulos do Sair à Luz e nos tempos modernos ficaram conhecidos como Livro dos Mortos.
Os escritores da escola esotérica afirmam que a razão principal para construção da Grande Pirâmide não foi servir de túmulo para um faraó, mas sim enunciar, de forma sólida e tridimensional, os conceitos descritos no Livro dos Mortos. Segundo eles, o monumento deveria servir de local onde os indivíduos responsáveis pela sobrevivência, de forma viva e pura, de tais conceitos, ou seja, os iniciados, pudessem ter o seu treinamento, suas provas e sua passagem à categoria de adeptos. Levando em conta que a escrita egípcia pode ser interpretada de várias maneiras, essa corrente de pensamento considera que as marcas encontradas na câmara do rei da Grande Pirâmide e interpretadas como sendo o nome de Khufu/Kéops, cujo cartucho se vê acima, podem ser lidas também como khu, isto é, o espírito ou a inteligência espiritual. As marcas na pedra não seriam o nome do rei, mas sim o nome da área dentro da pirâmide que representava o espírito.
Diversas sociedades que reivindicam a herança esotérica egípcia, entre as quais se incluem os maçons, os rosa-cruz e os teosofistas, acreditam que o sistema de câmaras e corredores da Grande Pirâmide eram centros iniciáticos e locais destinados à realização de mistérios sagrados. A fundadora da escola teosófica, Madame Blavatsky, afirma que a forma externa daquela pirâmide é o princípio criativo da natureza e ilustra também os princípios da geometria, matemática, astronomia e astrologia. O interior, por sua vez, diz ela, é um templo de iniciação no qual o homem ascende em direção aos deuses e os deuses descem em direção ao homem. Embora tais teorias sejam de dificil comprovação, a verdade é que muitas sociedades esotéricas modernas realizam cerimônias de iniciação bastante similares a diversas práticas egípcias descritas no Livro dos Mortos. Muitas pessoas já passaram uma noite totalmente sós dentro da pirâmide de Kéops e saíram narrando terem vivido experiências estranhas. Conta a lenda que Napoleão passou uma noite na câmara do rei e de lá saiu branco e trêmulo e jamais revelou o que ocorrera.
Há quem diga que a Grande Pirâmide já era um monumento antigo na época de Kéops. A chamada Estela do Inventário contém uma inscrição obscura que afirma que a Grande Pirâmide já existia quando se passa a história ali documentada. Segundo o relato, Kéops construiu sua pirâmide junto da Grande Pirâmide, na época conhecida como o templo da deusa Ísis. Depois construiu outra pirâmide para a filha, igualmente junto ao templo. Se verdadeiro o relato, isso poderia indicar, inclusive, que os faraós Kéfren e Miquerinos não construíram as pirâmides a eles atribuídas, mas apenas assumiram as pirâmides de Kéops e de sua filha, respectivamente.
Baseados na contradição entre a quantidade de conhecimentos matemáticos, geométricos e astronômicos necessários para edificar as pirâmides e algumas opiniões de que os conhecimentos dos antigos egípcios nessas áreas era pequeno, e com base ainda nas dificuldades práticas para realização da tarefa, já foi dito que embora as pirâmides estejam no Egito, isso não significa que sejam do Egito. O que se quiz dizer com isso é que teria havido na construção das pirâmides a influência de seres com conhecimentos superiores, os quais seriam os verdadeiros responsáveis pela obra. Dentro dessa linha de raciocínio argumenta-se que a Grande Pirâmide foi edificada por uma civilização antiga, com o objetivo de documentar seus conhecimentos e apresentar profecias através das quais os homens do futuro pudessem progredir no rumo da busca da sabedoria universal. Um historiador árabe de nome Masoudi, que viveu por volta do ano 900 da nossa era, chegou mesmo a afirmar que viu velhos documentos que atestavam que a pirâmide dita de Kéops era um monumento cuidadosamente planejado e construído para representar as leis básicas da natureza, inclusive um código de sabedoria dos antigos.
Considerando-se como verdadeiro o fato de que no decorrer da IV dinastia egípcia as pirâmides já eram consideradas antigas, conforme diz a Estela do Inventário, e aliando-se a isso as conclusões de Piazzi Smyth com relação aos alinhamentos das estrelas em relação à Grande Pirâmide, pode-se supor — e já houve quem o fizesse — que o alinhamento do corredor descendente com Alfa Draconis foi realizado não em 2170 a.C. e sim em 27.997 a.C., ou seja, exatamente um ciclo sideral distante de 2170 a.C. E alguém pode recuar ainda mais e considerar como válida qualquer data dos ciclos siderais anteriores: 53.824 a.C., 79.651 a.C. ou 105.478 a.C.
Ainda dentro da linha de raciocínio de que as pirâmides foram construídas por seres
mais evoluídos do que os egípcios, situa-se a corrente daqueles que consideram a Atlântida a origem de tais seres, ou pelo menos dos conhecimentos necessários à execução da obra. A Atlântida é um continente fabuloso que se acredita possa ter existido outrora no oceano Atlântico, a oeste do estreito de Gibraltar. Sua existência foi cogitada e investigada sobre os mais variados aspectos, dentro e fora dos limites daquele oceano, mas nada de definitivo foi descoberto até hoje. Nos seus escritos, Platão, filósofo grego que viveu cerca de 400 anos antes de Cristo, conservou um relato já antigo sobre a existência dessa pretensa civilização. Segundo ele, seria uma narrativa feita por um sacerdote egípcio, que se baseava em inscrições guardadas nos templos desde tempos imemoriais, ao legislador Sólon (640-558 a.C.), quando este visitou a cidade de Saís. O mapa acima foi desenhado pelo padre Athanasius Kircher, no século XVII, baseado nos relatos de Platão. Não se sabe porque ele inverteu a posição dos continentes e dos polos. A narrativa de Platão não contém nada de improvável, — afirma o pesquisador Max Toth — pois descreve apenas uma cultura grandiosa e rica de um povo instruído; a história é despretensiosamente livre de maravilhas e mitos. Desse modo, é uma história razoável de povos governados por reis, vivendo e progredindo como fizeram outras nações, mas que também se expandiram, tocaram e revolucionaram as civilizações do mundo. O que se acredita nesse caso é que a Atlântida situou-se em épocas além da origem conhecida da história e que dela adveio o modelo original para a edificação de todas as pirâmides existentes no mundo.
Em 1859, John Taylor, editor e matemático, publicou sua teoria de que a Grande Pirâmide foi construída por uma raça de invasores não egípcios, divinamente escolhida, agindo diretamente sob a direção de Deus. Piazzi Smyth também achava que apenas através da intervenção divina poderiam os egípcios ter adquirido os necessários conhecimentos para construir monumentos tão colossais e maravilhosos. E não foram só eles que pensaram assim. Na realidade, muitos acreditam ainda hoje que os antigos egípcios seriam incapazes de construir as pirâmides sem a ajuda de uma intervenção externa. O mais notório dos representantes dessa corrente é o pesquisador Erich von Daeniken, autor do livro intitulado Eram os Deuses Astronautas?, que acrescentou um ângulo novo à questão. Ele sustenta que aquilo que os antigos egípcios chamavam de deuses eram, na realidade, astronautas extraterrestres que usaram sua tecnologia superior para construir as pirâmides. Eles teriam erguido os monumentos como plataformas de pouso para suas espaçonaves ou para, possivelmente, captarem a energia do cinturão de Van Allen, agindo a pirâmide nesse caso como se fosse um isolador de um fio elétrico. Os detratores dessa teoria afirmam que ela se baseia apenas em evidências circunstanciais e que tratam o assunto com muito pouca profundidade.
Outras teorias interessantes não faltam. Uma delas leva em conta o fato de existirem ou terem existido duas entradas nos monumentos de Kéfren, de Miquerinos e na pirâmide torta e conclui, por raciocínio lógico, que deve ter existido uma segunda entrada também na pirâmide de Meidum, na pirâmide vermelha e na Grande Pirâmide, pois tais monumentos parecem estar dentro do mesmo gênero de construção. Conforme essa linha de pensamento, as pirâmides tinham por objetivo servir de túmulo para o bae o ka do morto, enquanto que o seu kat, ou seja, o corpo físico, seria enterrado em outro local. Embora o ba e o ka fossem enterrados no mesmo monumento, supõem-se que, pelos rituais prescritos, cada qual teria sua própria entrada, corredores e câmaras. Várias hipóteses têm sido levantadas sobre a localização de uma eventual segunda entrada que poderia existir na pirâmide de Kéops. Enquanto alguns supõe que ela estaria localizada na face norte, isto é, na mesma face do monumento em que se encontra a primeira, porém num ponto mais acima com relação ao solo, outros asseveram que tal entrada deve ser procurada em outra face da pirâmide.
Lembrando, ainda, que os corredores e câmaras situados ao alto dentro da superestrutura da pirâmide de Kéops foram descobertos por acaso, quando uma pedra que bloqueava o corredor ascendente despencou providencialmente, os adeptos desse raciocínio acreditam que também possa haver corredores ascendentes na pirâmide de Kéfren, na de Miquerinos e nas pirâmides vermelha, torta e de Meidum, atribuídas ao faraó Snefru. Reforçam a hipótese com o argumento de que na pirâmide torta existem imensos blocos de pedra bloqueando uma das câmaras funerárias e que tal método de obstrução deve, provavelmente, ter sido usado nas demais pirâmides cuja semelhança arquitetônica é evidente. Dizem mais, ainda, que por baixo dos três grandes blocos de granito vermelho existentes na entrada do corredor ascendente da pirâmide de Képs, bem pode estar localizada a entrada de um outro corredor ainda a ser descoberto. Sendo praticamente impossível comprovar os fatos sem causar danos aos monumentos milenares, tais hipóteses ainda não foram confirmadas ou desmentidas.
Em síntese: é tão difícil provar que as pirâmides foram túmulos, quanto provar que não foram e que tinham outra finalidade. Seja como for, ninguém pode ser culpado por acreditar em qualquer uma dessas hipóteses. O que fica é o fato de que questões importantes sobre as civilizações antigas ainda precisam ser respondidas. A maior certeza que se pode ter com relação as pirâmides é que são uma das obras mais assombrosas jamais realizadas pelo homem.
Em fevereiro de 1995 Christopher Dunn esteve no Cairo e aproveitou a oportunidade para medir alguns dos artefatos produzidos pelos construtores das pirâmides. Segundo ele, tais medições provaram, sem sombra de dúvida, que ferramentas e métodos altamente avançados e sofisticados foram empregados por essa antiga civilização. Dunn examinou três peças usando alguns instrumentos especiais que adquirira. Um deles visava determinar a precisão com a qual os artefatos haviam sido confeccionados. O primeiro objeto que inspecionou foi o sarcófago do interior da pirâmide de Kéfren, que vemos na foto acima. Ele se surpreendeu ao verificar que a superfície do interior da caixa era perfeitamente lisa e plana. Também lhe pareceu que os cantos internos arredondados do sarcófago tinham um raio uniforme em toda sua extensão, sem variação da precisão da superfície no ponto de tangenciamento.
As perguntas que lhe vieram à mente foram: Por que o interior de uma enorme caixa de granito foi acabada com a exatidão que usamos em placas de revestimento de precisão? Como fizeram isso? E por que fizeram isso? Por que consideraram essa peça tão importante que se deram a tão grande trabalho? Seria impossível fazer esse tipo de trabalho no interior de um objeto manualmente. Mesmo com a maquinaria moderna, seria uma tarefa muito difícil e complicada. Seria uma tarefa grandemente problemática a de polir o interior da caixa com a precisão que se observa no sarcófago, a qual resultou numa superfície completamente plana no ponto onde as laterais encontram os cantos curvos. Há problemas físicos e técnicos associados com uma tarefa como essa que não são fáceis de resolver. Poderiam ser usadas brocas para desbastar o interior, mas quando se trata de terminar uma caixa deste tamanho com uma profundidade interior de 75,15 centímetros enquanto se mantém um raio no canto de menos de 1/2 polegada, há alguns desafios significativos para superar.
O pesquisador também teve oportunidade de examinar os túneis cavados na rocha no Serapeum, em Saqqara. Lá se encontram 21 enormes sarcófagos de granito, como este que vemos ao lado, que pesam, juntamente com suas respectivas tampas, cerca de 100 toneladas cada um. A matéria-prima foi extraída a cerca de 800 quilômetros de distância, nas pedreiras de Assuão. Cada peça tem, aproximadamente, quatro metros de comprimento, dois metros e 28 centímetros de largura e 3 metros e 35 centímetros de altura. Estão instalados em criptas escavadas na pedra calcária em intervalos regulares ao longo dos túneis. O piso das criptas fica cerca de um metro e 20 centímetros abaixo do piso do túnel e os sarcófagos estão colocados em recessos centrais. Ao examinar esse conjunto, Christopher Dunn se questionou sobre os problemas de engenharia existentes para instalar tais caixas enormes em espaços confinados e com a última cripta localizada próximo ao fim do túnel. Como colocá-las no lugar se ali não havia espaço para que centenas de escravos puxando cordas pudessem posicionar os sarcófagos?
Ao examinar o lado externo de um desses sarcófagos, Dunn constatou que era uma superfície perfeitamente plana, sem qualquer desvio. Examinou ainda o interior de outro sarcófago desses e constatou, novamente, que a superfície era absolutamente plana. Ele também checou uma tampa e a superfície sobre a qual ela se apoiava e constatou, pela terceira vez, que ambas eram perfeitamente planas. Isso produzia um fechamento hermético no caixão, já que duas superfícies absolutamente planas entravam em contato e o peso de uma delas expulsava o ar existente entre ambas. Finalmente, usando um esquadro de altíssima precisão, inspecionou o ângulo formado entre essa tampa de 27 toneladas e a superfície interior do sarcófago sobre o qual ela se apoiava. Verificou que o lado inferior da tampa e a parede interior da caixa formavam um ângulo reto absolutamente perfeito e que o fato se dava não apenas num lado da caixa, mas em ambos, o que aumenta o nível de dificuldade para realizar esse feito.
Pense nisso como uma realidade geométrica — comentou Chistopher Dunn. Para que a tampa fique no esquadro com as duas paredes internas, estas têm que ser paralelas entre si ao longo do eixo vertical. E ainda mais, a parte superior da caixa precisa formar um plano que esteja no esquadro com as laterais. Isso torna o acabamento do interior exponencialmente mais dificil. Os fabricantes desses sarcófagos do Serapeum não apenas criaram superfícies internas que são planas quando medidas vertical e horizontalmente, mas também se certificaram de que as superfícies que estavam criando estivessem no esquadro e paralelas umas com as outras, com uma superfície, o topo, tendo laterais que estão afastadas entre si entre 1,5 e 3 metros. Mas sem tal paralelismo e sem o perfeito esquadro da superície do topo, o perfeito esquadro notado em ambas as laterais não poderia existir.
Realizando seu trabalho, Chistopher Dunn sentia a atmosfera carregada de poeira do interior daqueles túneis, o que tornava difícil a respiração. Ficou então imaginando o desconforto e quão insalubre seria dar acabamento a qualquer uma daquelas enormes peças de granito, seja lá qual fosse o método empregado. Uma melhor alternativa seria executar o trabalho fora daquele ambiente. Eu estava tão surpreso com este achado — escreveu ele — que não me ocorreu, a não ser mais tarde, que os construtores destas relíquias, por alguma razão esotérica, desejavam que elas fossem extremamente precisas. Eles tinham se dado ao trabalho de trazer para o túnel o produto inacabado e terminaram-no no subterrâneo por uma boa razão! Essa é a coisa lógica a fazer se você requer um alto grau de precisão na peça em que está trabalhando. Terminar a peça com tal precisão em um local que mantivesse uma atmosfera diferente e uma temperatura diferente, como ao ar livre debaixo do sol quente, significaria que quando ela fosse finalmente instalada dentro do túnel frio, numa temperatura semelhante à de uma caverna, aquela precisão seria perdida. O granito mudaria sua forma por expansão e contração térmica. A solução, naquela época como hoje em dia, é claro, é preparar superfícies de precisão no local no qual elas deverão ser utilizadas.
Com que propósito os egípcios extraíram de suas minas blocos de granito de 90 toneladas, escavaram seu interior e o fizeram com tão alto nível de precisão? Por que acharam necessário trabalhar a superfície no topo desta caixa de maneira a torná-la perfeitamente plana de forma que uma tampa, com uma superfície no seu lado inferior igualmente plana, se assentasse perfeitamente no esquadro com relação às paredes interiores do sarcófago? Dunn comenta que ninguém faz esse tipo de trabalho a menos que haja um elevado propósito para o artefato. Até mesmo a idéia deste tipo de precisão não ocorreria a um artesão, a menos que não houvesse nenhum outro meio para atingir aquilo que se pretendia que o artefato fizesse.
A única outra razão pela qual tal precisão poderia ser implantada em um objeto seria a de que as ferramentas usadas para criá-lo fossem tão precisas que fossem incapazes de produzir qualquer coisa menos exata. Em qualquer dos dois cenários, estamos olhando para uma civilização de um nível mais alto do que aquele que é normalmente aceito hoje em dia. Para ele as implicações desse fato são surpreendentes e enfatiza: É por isso que acredito que estes artefatos que examinei no Egito são a evidência incontestável que prova, sem sombra de dúvida, que uma civilização mais adiantada do que aquela que aprendemos existiu no antigo Egito. A evidência está gravada na pedra. Pode-se argumentar que a falta de maquinaria refuta a existência de uma sociedade avançada entre os antigos egípcios. Mas Dunn contesta tal argumento dizendo que uma falta de evidência não é evidência. É falacioso negar ou ignorar o que existe argumentando com aquilo que não existe. O autor sugere que sejam feitos estudos mais aprofundados nesses sarcófagos para que se descubra que finalidade levou os artífices egípcios a buscarem tão alto grau de precisão, já que a intenção nesse sentido está bastante clara. Talvez as superfícies das caixas até estejam acabadas com precisão ótica. Se assim for, por quê? Entretanto, não era o objetivo de Christopher Dunn analisar esse tipo de detalhe.
Quando retornou aos Estados Unidos, Dunn contatou quatro fabricantes de granito de precisão e não encontrou ninguém que pudesse fazer um artefato semelhante. Um deles informou que um pedaço de granito daquele tamanho deve pesar cerca de 90.000 quilos e, se uma peça daquele tamanho estivesse disponível, seu custo seria enorme. O pedaço do granito bruto valeria algo em torno de 115 mil dólares. Este preço não incluiria o corte do bloco no tamanho adequado ou qualquer custo de frete. O próximo problema óbvio seria o transporte. Seriam necessárias muitas licenças especiais a serem emitidas pelos órgãos competentes que custariam outros milhares de dólares. E, entretanto, os egípcios moveram esses pedaços de granito por quase 800 quilômetros. O mesmo fabricante informou que sua empresa não tinha o equipamento ou a capacidade técnica para produzir caixas semelhantes. O que poderiam fazer seria produzir as caixas em cinco pedaços, transportá-los até o cliente e juntá-los no local.
O terceiro objeto que Chistopher Dunn examinou, e que vemos na foto abaixo, foi um pedaço de granito encontrado nas proximidades do planalto de Gizé e sobre o qual concluiu que os construtores das pirâmides tiveram que usar uma máquina capaz de executar contornos precisos em três eixos de movimentação (X-Y-Z) para guiar a ferramenta num espaço tridimensional e criar a peça. Ainda que sejam inacreditavelmente precisas, superfícies planas normais, simples geometricamente, podem ter sua fabricação explicada através de métodos simples. Entretanto, a peça encontrada suscitou na mente de Dunn não apenas a pergunta: Que ferramenta foi usada para cortá-la?, mas também outra indagação muito mais complexa: O que guiou a ferramenta de corte?
Como introdução para a resposta, o autor explica que muitos dos artefatos que a civilização moderna criou seriam impossíveis de produzir usando-se trabalho puramente manual. Estamos rodeados por artefatos que são o resultado da criação de ferramentas que superam nossas limitações físicas. Nós desenvolvemos máquinas ferramentas para criar os moldes que produzem os contornos estéticos dos carros que dirigimos, dos rádios que escutamos e dos eletrodomésticos que usamos. Para criar os moldes que produzem tais artigos, uma ferramenta cortante tem que seguir com precisão um contorno predeterminado em três dimensões. Em algumas aplicações ela irá se mover em três dimensões usando, simultaneamente, três ou mais eixos de movimentação. O artefato que ele examinou exigiria um mínimo de três eixos de movimentação para sua confecção.
Quando a indústria de ferramentas elétricas era relativamente jovem, foram empregadas técnicas onde a forma final era dada à mão, usando modelos como guia. Hoje, com o uso de máquinas controladas por computador, pouco se usa o trabalho manual. Um pequeno polimento para remover marcas indesejáveis da ferramenta talvez seja o único trabalho manual requerido. Então, para descobrir que um artefato foi produzido em tal máquina, precisamos encontrar uma superfície precisa com sinais das marcas de ferramenta que mostrem o caminho da ferramenta em si. Isto foi o que Chistopher Dunn encontrou em Gizé, aproximadamente dez metros a leste da segunda pirâmide. Eram dois pedaços de granito que tinham sido originalmente um único pedaço, mas que se quebrara. O pesquisador teve sua atenção despertada pela precisão do contorno e sua simetria. Os dois objetos encontrados, quando juntos, assemelhavam-se a um pequeno sofá. O assento é um contorno que se funde com as paredes dos braços e com o encosto. O autor examinou-o e considerou-o extremamente preciso. A conclusão a que chegou é a de que houve uso de maquinaria motorizada de alta velocidade e que técnicas modernas de mecânica não convencional foram empregadas na fabricação dos artefatos de granito achados em Gizé e em outros locais no Egito. Dunn advoga que se faça um estudo sério e oficial por pessoas qualificadas, de mente aberta, que poderiam abordar o assunto sem noções preconcebidas.
Em termos de um entendimento mais amplo do nível de tecnologia empregado pelos antigos construtores das pirâmides — ele comenta, as implicações dessas descobertas são tremendas. Nós não só estamos diante de fortes evidências que parecem nos ter escapado durante décadas, e que oferecem indícios adicionais que provam que os antigos egípcios estavam bem avançados, mas também temos oportunidade de reanalisar tudo de uma perspectiva diferente. Entender como algo é feito abre uma dimensão diferente na tentativa de determinar porque foi feito. A precisão nestes artefatos é irrefutável. Até mesmo se nós ignorarmos a pergunta de como eles foram produzidos, estaremos ainda face à questão do porque tal precisão foi necessária.
Ainda que possamos admitir que máquinas avançadas realmente tenham sido empregadas, fica a pergunta: onde estão as máquinas? Quanto a tal assunto o pesquisador inglês pondera que máquinas são ferramentas e que nenhuma ferramenta foi encontrada para explicar qualquer teoria sobre como as mais de 80 pirâmides foram construídas ou caixas de granito foram cortadas. Até mesmo se nós aceitássemos a noção de que ferramentas de cobre são capazes de produzir esses artefatos incríveis, os poucos instrumentos de cobre que foram descobertos não representam o número de tais ferramentas que teriam que ter sido usadas se cada canteiro que trabalhou nas pirâmides, apenas em Gizé, possuísse uma ou duas delas.
Depois de garantir existirem poucas dúvidas de que subestimamos seriamente as capacitações dos antigos construtores das pirâmides, Christopher Dunn escreve: A interpretação e o entendimento de um nível de tecnologia de uma civilização não deveriam depender da preservação de um registro escrito de toda a técnica que eles tenham desenvolvido. Os fatos básicos de nossa sociedade nem sempre merecem elogios e uma pedra testamento mural, muito provavelmente, seria erigida para transmitir uma mensagem ideológica, ao invés da técnica empregada para entalhá-la. Registros da tecnologia desenvolvidos pela nossa moderna civilização permanecem em mídia vulnerável e poderiam deixar de existir no caso de uma catástrofe mundial, tais como uma guerra nuclear ou uma nova idade do gelo. Por conseguinte, depois de vários milhares de anos, uma interpretação dos métodos usados por um artesão poderia ser mais precisa do que uma interpretação do seu idioma. O idioma da ciência e da tecnologia não tem a mesma liberdade da fala. Assim, embora as ferramentas e máquinas não tenham sobrevivido milhares de anos após se
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Nome antigo e/ou
nome moderno
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Dimensões, localização e observações
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KÉOPS IV dinastia
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A Pirâmide que É o Lugar do Nascer e do Pôr do Sol

Resplandecente É Kéops; A Resplandecente.
Grande Pirâmide; Primeira Pirâmide de Gizé. Leia mais sobre essa pirâmide. |
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Altura: 146m
Base: 230x230 m
Gizé.
A maior pirâmide egípcia. |
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KÉFREN IV dinastia
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Altura: 143m
Base: 215x215 m
Gizé.
Mantém até hoje restos do revestimento calcário original perto do vértice. |
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Altura: 104m
Base: 220x220 m
Dahshur. |
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SNEFRU IV dinastia
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Altura: 102m
Base: 189x189 m
Dahshur.
Única pirâmide egípcia com esta forma. |
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HUNI/SNEFRU III e IV dinastias
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Altura: 93,5m
Base: 137x137 m Meidum.
A mais antiga pirâmide verdadeira construída no Egito. |
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AMENEMHET III
XII dinastia
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Altura: 81,50m
Dahshur. Valiosos tesouros encontrados nas proximidades. |
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SESÓSTRIS III XII dinastia |
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Altura: 78,50m
Dahshur. Valiosos tesouros encontrados nas proximidades. |
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Altura: 70m
Saqqara. Só restam sete metros de altura. |
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Altura: 69,50m
Base: 126x126 m
Abusir.
Partes inacabadas do conjunto foram usurpadas por Neuserre. |
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MIQUERINOS IV dinastia
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Altura: 66,44m
Base: 108,66x108,66m
Gizé. |
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SESÓSTRIS I XII dinastia
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Altura: 61m
el-Lisht.
Estrutura interna construída de forma diferenciada. |
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DJOSER III dinastia
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Altura: 60m
Base: 125x110 m Saqqara.
A mais antiga pirâmide construída no Egito. |
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AMENEMHET III
XII dinastia |
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Altura: 58m
Hawara. Templo funerário conhecido como O Labirinto. |
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AMENEMHET I XII dinastia
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Altura: 52,50m
Saqqara.
A pirâmide emprestou o nome à cidade de Mênfis.
Existência de textos das pirâmides. |
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Altura: 51,50m
Abusir.
Neuserre usurpou partes inacabadas do conjunto de Neferirkare. |
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SAHURE V dinastia
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Altura: 49,37m
Base: 78,33x78,33 m
Abusir. |
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Altura: 49m
Saqqara.
Templo funerário invulgarmente situado no lado sul da pirâmide. |
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SESÓSTRIS II XII dinastia
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Altura: 48m
el-Lahun.
Estrutura interna construída de forma diferenciada. Magnífico sarcófago de granito vermelho. Valiosos tesouros encontrados nas proximidades. |
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Altura: 37m
Saqqara. Engenhoso sistema para fechamento da câmara funerária. |
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Altura: 32,54m
Base: 55x55 m Dahshur. Pirâmide subsidiária anexa à Pirâmide Torta. |
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Altura: 21,30m
Base: 27,50x27,50 m Saqqara. Réplica, em escala reduzida, da pirâmide do faraó Pepi II. Existência de textos das pirâmides. |
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WENIS V dinastia
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Nome antigo e/ou
nome moderno
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Dimensões, localização e observações
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AMENEMHET I XII dinastia
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SESÓSTRIS I XII dinastia
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Altura: 61 m
el-Lisht.
Estrutura interna construída de forma diferenciada. |
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RAINHA NEFERU XII dinastia |
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el-Lisht. Pirâmide da rainha principal de Sesóstris I. |
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PRINCESA ITAKAYT XII dinastia |
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el-Lisht. Pirâmide pertencente a uma princesa do reinado do faraó Sesóstris I. |
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MULHERES DA FAMÍLIA REAL XII dinastia |
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el-Lisht. Sete pirâmides pertencentes a mulheres da família real de Sesóstris I. |
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Dahshur.
Valiosos tesouros encontrados em mastabas do conjunto. |
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SESÓSTRIS II XII dinastia
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Altura: 48 m
el-Lahun.
Estrutura interna construída de forma diferenciada. Magnífico sarcófago de granito vermelho. Valiosos tesouros encontrados nas proximidades. |
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SESÓSTRIS III XII dinastia |
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Altura: 78,50 m Dahshur. Valiosos tesouros encontrados nas proximidades. |
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AMENEMHET III XII dinastia |
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Altura: 81,50 m Dahshur. Valiosos tesouros encontrados nas proximidades. |
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AMENEMHET III XII dinastia |
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Altura: 58 m Hawara. Templo funerário conhecido como O Labirinto. |
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AMENEMHET IV (?) XII dinastia |
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Mazghuna. Proprietário incerto. Estrutura externa totalmente desaparecida. |
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NEFRUSOBK (?) XII dinastia |
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Mazghuna. Proprietário incerto. |
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Base: 50x50 m Dahshur. Ficou inacabada. |
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FARAÓ DESCONHECIDO XIII dinastia |
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Saqqara. Ficou inacabada. Sua câmara funerária, monolítica, pesava 150 toneladas. |
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Altura: 37 m Saqqara. Engenhoso sistema para fechamento da câmara funerária. |
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RAINHAS DESCONHECIDAS XIII dinastia |
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Saqqara.
Tinha duas câmaras funerárias. |
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AMÓSIS XVIII dinastia
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Abido. Cenotáfio com forma piramidal. |
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Abido. Pirâmide falsa pertencente à avó do faraó Amósis. |
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RAINHAS DESCONHECIDAS XXV dinastia |
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Kurru. Cinco pirâmides construídas para as rainhas do faraó Piye. |
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